terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Maria vai-com-as-outras -



 

 
Era uma vez uma ovelha chamada Maria. Onde as outras ovelhas iam, Maria ia também. As ovelhas iam para baixo Maria ia também. As ovelhas iam para cima, Maria ia também.
Um dia, todas as ovelhas foram para o Pólo Sul. Maria foi também. E atchim! Maria ia sempre com as outras.
Depois todas as ovelhas foram para o deserto. Maria foi também.
- Ai que lugar quente! As ovelhas tiveram insolação. Maria teve insolação também. Uf! Uf! Puf!
Maria ia sempre com as outras.
Um dia, todas as ovelhas resolveram comer salada de jiló.
Maria detestava jiló. Mas, como todas as ovelhas comiam jiló, Maria comia também. Que horror!
Foi quando de repente, Maria pensou:
“Se eu não gosto de jiló, por que é que eu tenho que comer salada de jiló?”
Maria pensou, suspirou, mas continuou fazendo o que as outras faziam.
Até que as ovelhas resolveram pular do alto do Corcovado pra dentro da lagoa. Todas as ovelhas pularam.
Pulava uma ovelha, não caía na lagoa, caía na pedra, quebrava o pé e chorava: mé! Pulava outra ovelha, não caía na lagoa, caía na pedra e chorava: mé!

 
E assim quarenta duas ovelhas pularam, quebraram o pé, chorando mé, mé, mé! Chegou a vez de Maria pular. Ela deu uma requebrada, entrou num restaurante comeu, uma feijoada.
Agora, mé, Maria vai para onde caminha seu pé.


Autora: Sylvia Orthof

O homem que contava histórias

Era uma vez um homem que, cansado de ver as pessoas de sua cidade sempre tensas, angustiadas e tristes, resolveu fazer algo por elas.

Como sabia de cor lindas histórias, sentou-se num banquinho no meio da praça e pôs-se a contar e a contar...

E assim o contador de histórias passava seus dias...

A princípio, algumas pessoas paravam para ouvi-lo, curiosas. Mas só ficavam um pouquinho, pois tinham muita pressa, seu tempo era curto!

Mesmo assim, o homem não desistia: todos os dias, punha o seu banquinho na praça e contava as suas histórias repletas de fantasia.

O tempo passou..

Um dia o contador de histórias narrava, para uma plateia inexistente, uma maravilhosa fábula, quando um garotinho, puxando-o pela manga, interrompeu-o:

- Ei, tio! Será que você não percebeu que não tem ninguém ouvindo? Por que você insiste em contar essas histórias?

Então, o sábio homem respondeu:

- Olhe, meu filho, antes eu contava histórias pensando em mudar o mundo; hoje, eu conto histórias para que o mundo não me mude...



Esta é uma história da tradição judaica que está no livro "O Homem que contava histórias" de Rosane Pamplona e Sônia Magalhães. Mas o livro contém mais vinte histórias lindas, vindas de outros cantos do mundo como Grécia, China, Índia e é uma belíssima opção para os pais que querem contar aos filhos.

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

HISTÓRIA DO BARANGANDÃO


Há muito tempo... Na época das avós de nossas avós, as mulheres reuniam-se na boca do rio. Elas sentavam-se em roda para contar estórias. As mais velhas contavam para as mais novas, as mais novas contavam para as mais velhas, e assim iam... até que o tempo se esvaísse numa imensidão de palavras coloridas. Mas, na roda, sempre havia aquela moça envergonhada, que não queria compartilhar suas estórias. Então, as mais experientes resolveram imaginar uma dinâmica de corpo e, para isso, inventaram um brinquedo que denominaram de BARANGANDÃO.
BARANGANDÃO, o brinquedo inventado, era usado para esquentar o corpo, para relaxar... Elas rodavam, rodavam, ondulavam as cinturas e libertavam suas palavras de calor. Surgiam estórias da vida, estórias do sonho, estórias do medo, palavras inventadas.
BARANGANDÃO tornou-se um instrumento crucial para realização do ritual de iniciação das mulheres, que antes, moças entorpecidas de palavras engravidadas de suas estórias, soltavam o corpo aquecido pela vontade, desejo, necessidade de fazer-se ouvir e compartilhar.
(Adaptação da lenda do brinquedo folclórico)

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

A cutia e a onça


A fábula das três irmãs

 
Era Uma Vez ...

Contam que em um castelo viviam três irmãs: FALA, ESCUTA e MEMÓRIA. Fala gostava de aparecer, por isso usava lindos vestidos e estava sempre á frente do castelo querendo sobressair-se entre as irmãs. Escuta era a mais calada de todas. E como as duas primeiras irmãs não se davam muito bem, era comum que Escuta permanecesse escondida enquanto Fala aparecia e só desse as caras quando a mesma silenciava sua voz e se ocultava em seus aposentos. Então, Escuta saía e prestava bastante atenção a tudo que ocorria de mais interessante e curioso ao redor.

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

Mudanças no galinheiro mudam as coisas por inteiro

    
O Sol estava resfriado e tinha tomado uma aspirina. Mesmo assim, o nariz continuava a pingar, muit roxo-rosado, que é a cor do nariz do Sol, quando ele está resfriado.
Como o Sol estava muito chateado, sentindo calafrios, que são uns arrepios que sacodem a gente quando a febre é alta, pegou no telefone e telefonou para a Lua.

quinta-feira, 27 de junho de 2013

Rota de Colisão

Ilustração: Odilon Moraes


Naquela sexta-feira 13, à meia-noite, teria lugar a 13ª Convenção Internacional das Bruxas, numa ilha super-remota no Centro do Umbigo do Mundo, muito, muito longe. 

Os preparativos para a grande reunião iam adiantados. A maioria das bruxas participantes já se encontrava no local – cada qual mais feia e assustadora que a outra, representando seu país de origem. Todas estavam muito alvoroçadas, ou quase todas, porque ainda faltavam duas, das mais prestigiadas: a Witch inglesa e a Baba-Yagá russa.